É sempre um tema muito triste, para todos nós. E hoje, infelizmente, vi-me confrontada mais uma vez com uma situação de morte que não consegui.... ou não quis... ainda.... explicar ao Diogo.
Esta noite morreu uma senhora que, embora não sendo família directa, era como se o fosse. Era a avó do Ivan (afilhado do pai) e esteve connosco em todos os momentos importantes desde que eu conheço o Jorge: casamento, nascimento dos filhotes (veio logo cá a casa), aniversários e baptizados dos filhotes, até quando o Diogo foi operado ela não deixou de estar presente no hospital, a visitá-lo! Era uma "velhota" muito querida, muito simpática, muito amorosa e verdadeiramente boa pessoa, naquilo que me foi dado a conhecer nestes mais de 15 anos de convivência. Daquelas pessoas que mesmo passando por situações adversas de doença, familiares, nunca se consegue ver zangada... muitas vezes triste, desanimada, mas nunca zangada! (Fique em paz, D. Lurdes...).
Isto para dizer que nos vimos na necessidade e vontade de estar presentes um pouco no velório da senhora e na impossibilidade de não levar os miudos para lá, pois os avós também lá estavam e era tarde para os deixar com outra pessoa. Resolvemos então levá-los mas deixá-los no carro com a avó enquanto nós lá estavamos um pouco. E foi aqui que residiu a nossa dificuldade: não conseguimos e também não quisemos explicar ao Diogo o que estavamos ali a fazer, alterámos um pouco as coisas e dissemos que a D. Lurdes estava muito doente e que as pessoas amigas dela se tinham juntado ali (sim, porque ele reconheceu a capela das festas) para rezar por ela, para ela ficar melhor. Ele acreditou e só perguntou porque não podia ir também, ao que lhe respondemos que era de noite e as crianças não podiam estar presentes. Tudo se passou bem, ele acreditou e, já no regresso a casa, quando nos pediu para pôr um CD com músicas mais "bonitas" (que para ele quer dizer mexidas e alegres) e nós dissemos que não, porque estavamos tristes por a D. Lurdes estar tão doente, ele pensou um pouco e disse: "Eu também estou um bocadinho triste, por a avó do Ivan e do Rafael estar doente...".
Só que esta situação deixou-me muito pensativa: não quero sequer imaginar o dia em que ele vai ter que passar por isto, em que seja alguém da família e ele não possa ficar sem saber, mas ao mesmo tempo fico aflita: como explicar?? o que dizer?? como fazer perceber?? Uma coisa é dizer que, tal como o peixinho, ela morreu e foi para o céu, que é uma ideia que ele já interiorizou mais ou menos, mas aí o ser em causa desaparece... ali, nós estamos numa sala em que a pessoa está deitada, à nossa frente, numa "cama" estranha, mas ali... como fazer entender que está ali mas não está?? está a mente de uma criança capacitada para isto??
Se alguém já tiver passado por essa experiência e tiver feito algo que tenha resultado, partilhe. Isto ficou a atormentar-me... até porque, mesmo a nível profissional, já ouvi psicólogos que defendem que a criança deve estar presente em todos os momentos e não lhe deve ser escondido nada, e outros que, pelo contrário, afirmam que a criança deve recordar ao máximo a imagem que tem do ente querido e não guardar aquela como última recordação...




3 comentários:
Sinto muito pela sua perda, são sempre momentos dificeis p/ todos. Como explicar a uma criança tão pequena o significado da morte é complicado.
Bjinhos
Sinto muito... pelo que contas, era uma senhora muito querida e especial para vocês, devem estar muito tristes.
Quanto aos pequenitos, eu acho que ainda são novos para ir a velórios. Mas é a minha opinião. Não acho que a minha Mónica (com quase 10 anos) estivesse preparada para ver uma pessoa sem vida, num caixão... nem consigo imaginar essa situação, o que lhe diria...
Não temos escondido que as pessoas morrem, mas não a lçevamos conosco aos funerais/velórios. E numa situação com a tua, em que não tinhas com deixa-los teria feito exactamente o mesmo que tu.
Um beijinho muito grande
Isabel
PS - Obrigada pelos teus comentários ao aniversário do Afonso.
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